Programação

Assim elas comemoram a vitória
Yael Bartana

Assim elas comemoram a vitória
Yael Bartana

julia moares
edouard fraipont
ídiche
1/3

2017

A artista israelense Yael Bartana inaugura uma obra inédita como parte do projeto História(s), uma série de obras comissionadas que propõe uma reflexão sobre a história da instituição e sua dimensão pública.


Yael Bartana visitou diversas vezes a Casa do Povo em suas viagens recentes pelo Brasil. Encontrou na instituição um lugar que ecoa seu trabalho, que oscila entre uma crítica feroz ao modernismo e às suas utopias que anunciavam futuros nunca realizados, mas em nome das quais o presente é constantemente destruído. Em seus trabalhos recentes, usando o cinema, a performance e outros dispositivos, Yael Bartana criou novos rituais, fundou movimentos políticos, inventou narrativas nacionais extraoficiais e desenhou passados míticos, sugerindo que a imaginação é algo sério demais para ser deixada nas mãos dos políticos.


Assim elas comemoram a vitória é um neon que ocupa o hall de entrada do prédio da Casa do Povo. A frase, extraída a partir de uma pesquisa da artista pelo arquivo da instituição, se refere a um folheto de 1946 que anuncia sua criação no Bom Retiro e convida a comunidade judaica recém-chegada ao Brasil a contribuir. O texto assinado por um de seus fundadores, Bernardo Seibel, recebe o título "Assim eles comemoraram a vitória" e assinala o papel da Casa do Povo como um monumento à vitória contra o nazi-fascismo, construído em homenagem aos judeus assassinados nos campos de extermínio. 


A frase na obra de Yael Bartana é modificada sutilmente de duas maneiras. Primeiramente é trazida ao tempo verbal presente como forma de questionar o lugar das utopias e das tensões políticas contemporâneas vividas hoje, como as correntes políticas mais autoritárias e xenófobas que têm surgido em várias partes do mundo. Dessa forma, a obra atualiza a ideia a da Casa do Povo como espaço de memória e resistência que se propõe, desde sua fundação até os dias de hoje, a inventar e imaginar possíveis futuros. 


O pronome “eles” também é passado para a versão feminina, como diálogo direto com outros trabalhos da artista. Em especial, no seu projeto mais recente entitulado What If Women Ruled the World? [E se as mulheres governassem o mundo?] (ainda em processo), Yael Bartana propõe uma realidade alternativa à nossa com a instauração de uma sociedade matriarcal. No contexto da obra para a Casa do Povo, a artista constrói uma nova narrativa, imaginada como possibilidade, para a história da instituição. 


A obra é permanente e pode ser vista tanto pelos visitantes do espaço quanto por quem está de passagem na rua Três Rios. 

Uma publicação, coeditada com as Edições Aurora, acompanha o projeto e está à venda na Casa do Povo e disponível para download. 


Sobre a artista

Yael Bartana (1970, Kfar-Yehezkel, Israel) é artista de mídia contemporânea, mais conhecida por seu trabalho em cinema, vídeo, instalações e fotografia. Seu trabalho explora a relação entre documentário e ficção e envolve a identidade cultural e coletiva em relação a fenômenos sociais como cerimônias e rituais. Bartana estudou na Academia Bezalel de Artes e Design, em Jerusalém, na Escola de Artes Visuais de Nova York e na Rijksakademie em Amsterdã. Realizou inúmeras exposições individuais internacionalmente no Moderna Museet, Malmö; MoMA / PSI, Nova Iorque; no Centro de Arte Contemporânea em Tel Aviv; e no Kunstverein em Hamburgo. Bartana representou a Polónia na Bienal de Veneza de 2011 com  sua trilogia de filmes ...And Europe Will be Stunned. Seu trabalho está incluído em coleções públicas significativas, tais como o MOMA em Nova York; Centre Pompidou, Paris; Tate Modern, Londres e o Van Abbemuseum em Eindhoven. Bartana vive e trabalha em Tel Aviv e Berlim.

A programação da Casa do Povo amplia a noção de cultura, incorporando, além das práticas artísticas, diversas atividades como práticas corporais e de cuidado com a saúde. O código de cores, filtros e tags no site auxiliam a localização desse emaranhado de pessoas e iniciativas. Porosa, mutante e crítica, a programação permite que a instituição possa se estruturar sem se engessar, reinventar-se sem se precarizar, internacionalizar-se sem perder sua atuação local, para, enfim, experimentar outras formas de existência.

Atividades regulares

Cursos
Busca-se oferecer uma programação que desperte interesse no bairro e no Povo da Casa, a partir de práticas originais e acessíveis (para quem oferece, para quem acolhe e para quem frequenta).


Grupos de estudos
Em diálogo com os eixos de trabalho da Casa do Povo, os grupos de estudo têm modos de funcionamento diversos, alguns focados em processos, discussões e leituras internas e outros capazes de se desdobrarem em programações públicas

Projetos

Obras comissionadas
A Casa do Povo convida artistas para desenvolverem trabalhos inéditos, adaptando sua estrutura física e garantindo a existência plena de cada projeto que realiza.


Publicações

Cada publicação é entendida como uma extensão dos projetos desenvolvidos e como parte da programação. 


Plataformas

Mesclando processos e resultados, discursos e gestos, produção artística e acadêmica, a Casa do Povo promove encontros sobre temas específicos em consonância com as urgências do presente.

A Casa acolhe

O Povo da Casa pode promover atividades públicas que integram a programação. Propositalmente descontínuas e flutuantes, essas atividades dialogam de forma estreita com os eixos de trabalho da instituição e ajudam a Casa do Povo a ser maior do que ela mesma, transbordando vida comunitária. 


Projetos e propostas podem ser enviados para o e-mail 

info@casadopovo.org.br e serão avaliados. Paralelamente, com o intuito de incentivar esse movimento, abre-se uma chamada aberta anual destinada exclusivamente a práticas coletivas.


Saiba mais como usar o espaço.

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Nossa Voz
Nossa Voz

Nossa Voz é uma publicação da Casa do Povo. O jornal existiu junto à instituição, de 1947 a 1964, com textos em ídiche e português e um perfil editorial alinhado aos ideais de esquerda. Foi fechado pela ditadura militar, obrigando o seu editor-chefe Hersch Schechter e outros colaboradores a se exilarem. Foi relançado, em 2014, mantendo um diálogo com as suas premissas históricas e tendo seus eixos editoriais repensados. 


O comitê editorial conta com representantes das mais diversas áreas e se reúne regularmente para discutir as pautas que levam em conta a cidade, a memória e as práticas artísticas em consonância com a situação política atual.

A publicação tem distribuição gratuita e pode ser retirada na Casa do Povo durante o horário de funcionamento, nas instituições parceiras e em alguns estabelecimentos comerciais do bairro do Bom Retiro em São Paulo.


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Clique aqui para ver as edições antigas do Nossa Voz (de 1947 a 1964).