Inscrições abertas – CASA-ESCOLA: O Meio de Campo
O
meio
de
campo

5ª edição de CASA-ESCOLA

Inscreva-se até 30/8

Para esta quinta edição de CASA-ESCOLA, a Casa do Povo convida o artista e educador Raphael Escobar para desenhar um programa de maior fôlego: O Meio de Campo. Organizado em três módulos ao longo de cerca de dez meses, o programa parte da intersecção entre práticas culturais, mediação e ação política a partir da coletividade, para investigar modos de produzir em comum, construir memória e disputar território por meio da arte e da cultura.

Cada módulo é conduzido por um interlocutor convidado, em diálogo com Raphael Escobar, e combina estudos, conversas e trocas às sextas-feiras de manhã, encontros públicos abertos a quem quiser participar em algumas quintas-feiras, e saídas a campo ao longo do processo.

Neste programa, a Casa do Povo é ao mesmo tempo um território para experimentar e uma experiência para ser discutida. Vários profissionais da instituições e diversos grupos que habitam a Casa são mobilizados ao longo do programa. Os participantes selecionados têm também um acesso privilegiado ao ecossistema da Casa do Povo – atividades regulares, espaços de trabalho, encontros com os coletivos que formam o Povo da Casa – podendo desenhar de forma livre seus percursos pedagógicos.

A CASA-ESCOLA é o programa pedagógico da Casa do Povo. É o momento em que a Casa faz escola, compartilhando e adensando os conhecimentos que atravessam a instituição. A cada edição, desde 2021, o programa se reinventa em parceria com um artista ou coletivo convidado — passando por Luiza Crosman, Amilcar Packer, o Selvagem e, na edição mais recente, um conjunto de grupos de estudo conduzidos por Eugênio Lima, Geni Núñez e Peter Pál Pelbart.

 

O PROGRAMA

  • O Meio de Campo é destinado a articuladores culturais, sociais, ativistas, artistas, curadores e pessoas interessadas em práticas coletivas. Ao longo dos três módulos, a formação combina:
  • Estudos, conversas e trocas: às sextas-feiras de manhã, com o grupo de participantes selecionados.
    Saídas a campo: passeios e visitas ao longo do processo de cada módulo aos sábados.
  • Encontros públicos: algumas quintas-feiras terão palestras abertas. Convidados ainda serão anunciados.
  • Acesso privilegiado ao ecossistema da Casa do Povo (usos de espaço, atividades regulares, etc.)

O programa também prevê a formação de uma pequena estante de referências — livros, discos, publicações e outros materiais de pesquisa —, que permanece como legado para as próximas edições da CASA-ESCOLA.

SOBRE O COORDENADOR E OS INTERLOCUTORES

  • Raphael Escobar

Artista visual, educador e trabalhador social nascido em São Paulo (1987), atua há mais de quinze anos na intersecção entre arte, educação popular e mediação cultural, desenvolvendo projetos em contextos marcados por conflitos sociais, disputas territoriais e exclusão institucional. Sua prática investiga relações entre trabalho, classe social, cultura popular, espaço público e participação, criando situações de encontro entre diferentes repertórios culturais e ativando públicos improváveis. A partir da convivência com pessoas em situação de rua, usuários de drogas, trabalhadores da cultura e outros grupos frequentemente situados às margens das instituições, desenvolve trabalhos que articulam escuta, pedagogia e organização coletiva. Sua pesquisa recente aborda temas como trabalho, descanso, vocalidade, memória coletiva e circulação de saberes e repertórios culturais. Desenvolveu projetos e participou de exposições em instituições como MAM-SP, MAR, Instituto Inhotim, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MASP, Fowler Museum e Centro de Arte Fundación María José Jove. Foi indicado ao Prêmio PIPA em 2020 e 2022. É a partir da sua linha de pesquisa — sobre experimentação e outras formas de produzir arte dentro e fora da instituição cultural — que O Meio de Campo é estruturado.

  • Frederico Filippi —interlocutor do Módulo I

Nascido em São Carlos (SP) em 1983 e radicado em São Paulo, transita entre pintura, desenho, fotografia, vídeo, performance e instalação. Sua pesquisa investiga tensões entre ordem e desordem em diálogo com a etnologia ameríndia, com trabalhos recentes voltados à fronteira entre floresta e avanço industrial, incluindo experiências de campo na Amazônia.

  • Paola Ribeiro — interlocutora do Módulo II

Artista, cantora, pesquisadora e educadora. Mestre em Poéticas Cênicas pela UNESP e formada em Artes Visuais, desenvolve uma pesquisa que investiga a criação de espacialidades por meio da voz e da experiência sonora, articulando performance, improvisação, música e artes visuais. É cofundadora da Alingua, empresa dedicada à acessibilidade cultural e à coordenação de equipes educativas. Apontada pela Billboard Brasil como uma das vozes mais instigantes da cena experimental paulistana. Sua produção integra exposições, residências e festivais no Brasil e no exterior.

  • Bruno Oliveira — interlocutor do Módulo III

Bruno O. (Belo Horizonte/MG/Brasil, 1987) é educador e artista visual. Doutor em Artes Visuais pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e Mestre em Estudos Interdisciplinares Latino-Americanos (UNILA/PR). É pesquisador do MALOCA – Grupo de Estudos Multidisciplinares em Urbanismos e Arquiteturas do Sul da UNILA, com investigações sobre expressões visuais latino-americanas. É educador e artista visual no JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), um ateliê de artes visuais e cidadania na zona sul de São Paulo.

OS MÓDULOS

  • Módulo I — Método: como se constrói uma prática?
    Interlocutor: Frederico Filippi

Nas últimas décadas, artistas e coletivos vêm respondendo a contextos culturais, sociais e políticos de territórios específicos por caminhos alternativos à instituição, sem depender necessariamente de um edital, chamamento público ou exposição. Este módulo parte de estudos de caso dessas experiências – entre diferentes nomeações possíveis, como arte socialmente engajada, política, participativa ou relacional – para entender, metodologicamente, os caminhos percorridos por essas práticas.

Ao longo dos encontros, o módulo percorre um arco temático: passa por experiências que disputam a relação entre dentro e fora da instituição, pela crítica à participação como maneirismo formal, por experiências de ocupação como ferramenta de autonomia e resistência, e por iniciativas que constroem vínculo fora dos centros urbanos e das fontes de financiamento tradicionais, incluindo conversas dedicadas à própria experiência da Casa do Povo e à prática artística de Raphael Escobar. O módulo se encerra com encontros de acompanhamento, nos quais cada participante apresenta uma proposta inicial de ação a partir do que foi discutido.

  • Módulo II — Voz: como se cria memória?
    Interlocutora: Paola Ribeiro

A música pode ser compreendida como uma linguagem ou como um objeto artístico, mas também como uma prática capaz de produzir relações, organizar coletividades e construir memória. A partir de experiências artísticas que se aproximam da música por caminhos distintos – entre performance, participação, educação, trabalho e vida cotidiana –, este módulo investiga o fazer musical como acontecimento e como campo de relações, considerando também o som como forma de registrar, atualizar e produzir e repactuar memórias individuais e coletivas.

Ao longo dos encontros, o módulo percorre diferentes formas de aproximação entre arte e música: experiências que deslocam o som de seus espaços e formatos convencionais, práticas coletivas em que tocar, cantar, escutar e ensaiar tornam-se modos de produzir vínculo e memória, e trabalhos que utilizam o som para tensionar relações entre instituição, território, trabalho e participação.

A partir de estudos de caso e de experiências desenvolvidas por Raphael Escobar e Paola Ribeiro, serão discutidas questões como autoria, colaboração, repertório, escuta, memória, organização coletiva e as relações sociais produzidas pelo fazer musical. O módulo se encerra com encontros de acompanhamento, nos quais cada participante apresenta uma proposta inicial de ação a partir das discussões e experiências realizadas ao longo do percurso. O módulo será realizado em diálogo com o Eder Camargo, coordenador dos acervos da Casa do Povo.

  • Módulo III — Rastro: como disputar o território?
    Interlocutor: Bruno Oliveira

Partindo de técnicas gráficas como lambe-lambe, stencil e publicações, este módulo investiga a produção e a circulação de imagens e textos como formas de ocupar, disputar e produzir território. Mais do que compreender essas práticas como ferramentas de comunicação ou suportes para a criação, o módulo propõe pensar os processos gráficos como modos de fazer uma ideia circular, criar presença, produzir narrativas e interferir nos espaços em que são inscritos. A reprodução e a multiplicação aparecem, nesse sentido, não como perda de singularidade, mas como estratégias de alcance, deslocamento e construção de uma presença coletiva.

Ao longo dos encontros, o módulo percorre diferentes relações entre gráfica, território e ação, combinando aulas expositivas e experimentações práticas. Serão discutidas experiências em que cartazes, impressos, publicações e outras formas de reprodução gráfica atuam na construção de narrativas, na circulação de ideias e na disputa pelos modos de representar e ocupar determinados espaços. A partir dessas referências e dos exercícios realizados coletivamente, serão exploradas questões como reprodução, autoria, circulação, apropriação, comunicação, memória e disputa narrativa, pensando o território como um campo permanentemente atravessado por diferentes vozes e formas de inscrição.

O módulo contará ainda com a participação do Parquinho Gráfico, coletivo que habita a Casa do Povo, que será convocado a compartilhar suas práticas e experiências com processos gráficos e modos coletivos de produção e circulação.

CRONOGRAMA

Sextas-feiras, das 9h às 12h.

  • Módulo I
    2 de outubro a 12 de dezembro de 2027 (menos 20 de novembro)
  • Módulo II
    19 de fevereiro a 30 de abril de 2027 (menos Sexta-feira Santa, 26 de março)
  • Módulo III
    7 de maio a 23 de julho de 2027 (menos 27 de maio e 9 de julho)

Além disso, serão realizados eventos públicos em algumas quintas-feiras e saídas a campo aos sábados. As datas e os convidados serão afinados com o grupo de participantes.

As vagas são limitadas. Inscreva-se apenas se for participar de pelo menos 75% dos encontros às sextas.

CHAMADA

A seleção dos participantes é feita por meio de um formulário de inscrição, disponibilizado no lançamento da chamada, em 11 de agosto de 2026. As inscrições ficam abertas até 30 de agosto de 2026, e o resultado dos selecionados é divulgado em 11 de setembro de 2026.

  • Ajuda de custo: Os participantes selecionados recebem uma ajuda de custo de R$ 1000,00.

 

INSCREVA-SE AQUI