Programação

Refúgio polonês
Jakub Szczęsny

Refúgio polonês
Jakub Szczęsny

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15 de outubro a 

06 de novembro / 2016

Foto: Edouard Fraipont


O projeto Refúgio polonês, do arquiteto Jakub Szczesny , sugere, a partir da casa provisória, de uma plataforma de atividades e da publicação, questionar os rótulos culturais em uma época de crescimento de políticas xenófobas. As indagações sobre o que é ser polonês, o que é ser brasileiro, fundamentam-se na ideia de que todas as construções identitárias são sempre resultados de processos heterogêneos.


Uma utopia concreta

A base do projeto é a construção deste “refúgio” projetado por Jakub Szczesny instalado no terraço de mais de 400 metros quadrados, fechado há mais de 30 anos, da Casa do Povo. Estes imigrantes imaginaram e tornaram real o projeto da Casa do Povo como um espaço para acolher associações, iniciativas e atividades que já existiam no bairro do Bom Retiro. 


Agora, mais de 60 anos depois, um artista e arquiteto vindo da mesma terra que a maioria desses imigrantes, retoma características originais da Casa do Povo e transforma o seu terraço em uma “utopia concreta”. Abrigo, casa, tenda, esconderijo, puxadinho, retiro, succah, ninho; o Refúgio polonês é o espaço onde o próprio Szczesny resolveu morar por um mês e ficará aberto ao público nos horários de funcionamento da Casa do Povo. Em sua moradia temporária, Jakub utiliza móveis usados garimpados em lojas do bairro, objetos que já vem carregados de memória. Os panos e tecidos que são a base dessa casa, podem facilmente ser desmontados, colocados em uma mala, para logo serem reerguidos em outro lugar, recriando assim o refúgio.


O interesse de Jakub por moradias mínimas projetadas levando em conta diversas limitações, já é anterior a esse projeto e extrapola questões meramente formais ou técnicas. Na Keret House (2012) – um de seus trabalhos mais importantes e conhecida como “a casa mais estreita do mundo”  –, o objetivo não era apenas fazer uma pequena moradia, mas sim criar, no coração de Varsóvia, uma intervenção discreta que desse continuidade entre tempos e espaços divididos, costurando entre si dois prédios separados por um vão de apenas 1,20m. Um desses prédios foi construído antes da Segunda Guerra Mundial, enquanto o outro foi erguido logo após o fim da guerra, ocupando o exato local onde os nazistas haviam construído a ponte que conectava o grande e o pequeno gueto. Foi lá que os judeus foram mantidos isolados e assassinados pela ocupação alemã, e também onde houve o famoso levante em abril de 1943 – o “Levante do Gueto de Varsóvia”. A Keret House, que carrega no nome uma homenagem ao escritor israelense de origem polonesa Edgar Keret, segue ativa até hoje e funciona tanto como um lugar de moradia, como uma forma de habitar o tempo nas frestas abertas pelas feridas da história.


Ao longo do projeto, o "Refugio" é ativado e aberto a todos, acolhendo programações voltadas para questões ligadas à terra e ao território, muitas vezes realizadas em conjunto com refugiados, imigrantes, sem teto, sem terra e outros desarraigados.

O Quão Polonês Você Se Sente Hoje?
Percursos e Desvios Poloneses em São Paulo

Editado pela Casa do Povo e pela Editora Narrativa Um, o livro acompanha o projeto Refúgio Polonês como um todo e opera também como um (des)guia da participação da comunidade polonesa na formação de São Paulo, apontando assim para o devir judaico dos poloneses, a história polonesa dos judeus, a presença polonesa em São Paulo e a sobreposição de territórios numa cidade fértil em criação de outros espaços possíveis. 


A publicação é divida por temas que se articulam a partir de referências, construções, marcos arquitetônicos, personalidades, lugares de memória e heranças diversas desta comunidade imaginada pelos editores. A partir das contribuições de imigrantes e seus filhos, e de suas múltiplas identificações (um shtetl, uma língua, uma comida, um lugar, uma terra ou um imaginário), cada parte tenta desconstruir rótulos culturais, sejam eles poloneses ou brasileiros, tornando essa presença mais rica e complexa.


O Quão Polonês Você Se Sente Hoje? Percursos e Desvios Poloneses em São Paulo foi lançado no dia 26 de novembro de 2016

A programação da Casa do Povo amplia a noção de cultura, incorporando, além das práticas artísticas, diversas atividades como práticas corporais e de cuidado com a saúde. O código de cores, filtros e tags no site auxiliam a localização desse emaranhado de pessoas e iniciativas. Porosa, mutante e crítica, a programação permite que a instituição possa se estruturar sem se engessar, reinventar-se sem se precarizar, internacionalizar-se sem perder sua atuação local, para, enfim, experimentar outras formas de existência.

Atividades regulares

Cursos
Busca-se oferecer uma programação que desperte interesse no bairro e no Povo da Casa, a partir de práticas originais e acessíveis (para quem oferece, para quem acolhe e para quem frequenta).


Grupos de estudos
Em diálogo com os eixos de trabalho da Casa do Povo, os grupos de estudo têm modos de funcionamento diversos, alguns focados em processos, discussões e leituras internas e outros capazes de se desdobrarem em programações públicas

Projetos

Obras comissionadas
A Casa do Povo convida artistas para desenvolverem trabalhos inéditos, adaptando sua estrutura física e garantindo a existência plena de cada projeto que realiza.


Publicações

Cada publicação é entendida como uma extensão dos projetos desenvolvidos e como parte da programação. 


Plataformas

Mesclando processos e resultados, discursos e gestos, produção artística e acadêmica, a Casa do Povo promove encontros sobre temas específicos em consonância com as urgências do presente.

A Casa acolhe

O Povo da Casa pode promover atividades públicas que integram a programação. Propositalmente descontínuas e flutuantes, essas atividades dialogam de forma estreita com os eixos de trabalho da instituição e ajudam a Casa do Povo a ser maior do que ela mesma, transbordando vida comunitária. 


Projetos e propostas podem ser enviados para o e-mail 

info@casadopovo.org.br e serão avaliados. Paralelamente, com o intuito de incentivar esse movimento, abre-se uma chamada aberta anual destinada exclusivamente a práticas coletivas.


Saiba mais como usar o espaço.

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Nossa Voz
Nossa Voz

Nossa Voz é uma publicação da Casa do Povo. O jornal existiu junto à instituição, de 1947 a 1964, com textos em ídiche e português e um perfil editorial alinhado aos ideais de esquerda. Foi fechado pela ditadura militar, obrigando o seu editor-chefe Hersch Schechter e outros colaboradores a se exilarem. Foi relançado, em 2014, mantendo um diálogo com as suas premissas históricas e tendo seus eixos editoriais repensados. 


O comitê editorial conta com representantes das mais diversas áreas e se reúne regularmente para discutir as pautas que levam em conta a cidade, a memória e as práticas artísticas em consonância com a situação política atual.

A publicação tem distribuição gratuita e pode ser retirada na Casa do Povo durante o horário de funcionamento, nas instituições parceiras e em alguns estabelecimentos comerciais do bairro do Bom Retiro em São Paulo.


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