'Iy mũn ku mãk pax
Encontro de línguas latinas para além do português e do espanhol

'Iy mũn ku mãk pax
Encontro de línguas latinas para além do português e do espanhol

Abelhas
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Momento aberto ao público: 

9 de fevereiro

16h

Na exposição Cartoneras: releituras latino-americanas, que reúne 300 livros de diferentes editoras "cartoneras" (ou "catadoras") da América Latina, chama atenção um único livro escrito em línguas guarani, da editora paraguaia Yiyi Jambo, em meio a uma maioria de livros em castelhano e português. A partir desse livro e como uma das formas de resistência à intensificação dos ataques a terras, povos e culturas indígenas no contexto brasileiro atual, realizaremos encontros com pessoas residentes em São Paulo falantes de línguas indígenas da América do Sul como Aymara, Guarani, Jopara e Quechua, e também com os Pankararu, cujas dificuldades de sobrevivência desde a colonização comprometeram também a sobrevivência de sua língua ancestral.


Ao longo dos encontros cada participante irá compartilhar a história de sua língua e dizer oralmente um texto, ou canto, ou palavra. Na sequência, essas contribuições serão reunidas em uma publicação cartonera - um livro feito e costurado de maneira manual/artesanal, usando papelão reciclado pintado como capa -, que não terá traduções para as línguas locais colonizadoras.


Esta atividade encerra o conjunto de ações educativas da mostra, que teve educadoras imigrantes responsáveis pela mediação e também contou com: 1. uma editora temporária, onde coletivos e indivíduos produziram livros da forma cartonera; 2. oficina do coletivo Dulcineia Catadora com mulheres imigrantes organizadas na Equipe de Base Warmis, na Rede de Mulheres Imigrantes Lésbicas e Bissexuais (MILBI) e no Coletivo Feminista de Argentinxs em São Paulo, que resultou em uma publicação a ser distribuída em uma marcha de mulheres; e 3. atividades com crianças em escolas (ou "visitas ao contrário"). A frase que intitula este evento de encerramento - 'Iy mũn ku mãk pax - foi extraída de um canto xamânico maxakali/tikmũ’ũn e significa "minha voz bonita".



Participantes confirmados:


Beatriz Morales Barroso (Quechua)

Clarice Josivania da Silva (Pankararu)

Denilson Baniwa

Eunice Augusto Martim Sheley (Guarani)

Eunice Jera Poty (Guarani)

Joab Kara'i (Guarani)

Juan Cusicanki (Aymara)

Poty Poran Turiba Carlos (Guarani)

Maria Lídia da Silva (Pankararu)


Curadoria educativa: Graziela Kunsch

Educadoras: Maria Paula Botero e Juan David Segura Rubio

Curadoria da exposição: Alex Flynn e Beatriz Lemos

Produção: J. Pombo



Imagem: ilustração do canto do "Papa-mel", que traz desenhos e nomes de 33 espécies de abelhas nativas, por Donizete Maxakali (2009). A maioria dessas abelhas foi extinta, sendo apenas preservadas na memória e no canto/na língua maxakali/tikmũ’ũn.

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