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Exibição: Orestes
de Rodrigo Siqueira

Exibição: Orestes
de Rodrigo Siqueira

orestes
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03 de abril, 19h30

2019

Para que não nos esqueçamos da nossa própria história, a Casa do Povo exibe o filme Orestes de Rodrigo Siqueira. Após a exibição do filme acontece uma conversa aberta do diretor com José Roberto Michelazzo, físico, educador e sobrevivente da ditadura cívico militar de 64 e Adilson Paes de Souza, doutorando em psicologia na USP e tenente-coronel aposentado da Polícia Militar.


Sobre Orestes

Em 458 a.C., Ésquilo encenou a trilogia Oréstia. A tragédia culmina com o julgamento de Orestes, que matou a própria mãe para vingar a morte do pai. A sua absolvição pelo júri de atenienses colocou fim ao olho por olho, dente por dente e converteu das Erínias, deusas da vingança, em Eumênides, como defensoras da democracia, um marco civilizatório na cultura ocidental.

O documentário Orestes apropria-se da história de Ésquilo e promove o seu encontro com a história do Brasil. E se Orestes fosse brasileiro, filho de uma militante política e de um agente da ditadura militar infiltrado? E se aos 6 anos ele tivesse visto sua mãe ser torturada e morta pelo pai? E se este mesmo Orestes, 37 anos depois, matasse o pai, um torturador anistiado, em 1979, durante o processo de redemocratização?


A partir dessas perguntas, o documentário usa um júri simulado e uma série de sessões de psicodrama para investigar como a ditadura militar deixou marcas profundas nas narrativas oficiais e na subjetividade dos brasileiros. Documentário e ficção compõem um Brasil de verdades simuladas. No filme, o réu hipotético Orestes é levado a júri popular. Em sua defesa atua o ex-ministro da justiça José Carlos Dias, advogado de mais de 600 presos políticos durante a ditadura. Quem acusa é o promotor Maurício Ribeiro Lopes, exímio orador em tribunais criminais.


O coro desta tragédia documental à brasileira é composto por um grupo de pessoas vítimas da violência policial, vítimas da ditadura e da sociedade civil. Reunido em sessões de psicodrama o grupo faz aflorar, sem filtros, situações e falas que normalmente não são ditas publicamente. É através do coro que os ritos da justiça são postos frente a frente com as paixões mais profundas do brasileiro comum, é no psicodrama que o presente olha para os traumas do passado.


As feridas deixadas pelo nosso violento e muitas vezes velado ou dissimulado processo histórico permeiam o filme. As marcas da repressão nos anos 1970 encontram as marcas da violência policial de hoje. A verdade histórica é posta em xeque, as narrativas oficiais são desconstruídas, o fato e a versão são acareados, a justiça é posta em dúvida. No Brasil de 2015, talvez as Erínias, deusas da vingança, ainda estejam vivas e mais atuantes que nunca.


Ao convencer as Erínias (as Fúrias) – Deusas da Vingança – a aceitar a absolvição de Orestes e integrá-las ao novo sistema de justiça, Athena – Deusa da Justiça – lhes diz:


“Se venerais a sagrada Persuasão / Que faz minhas palavras parecerem mágicas / E cheias de doçura, concordai comigo / E sede para todo o sempre minhas hóspedes”.

(ÉSQUILO, Eumênides, em 458 a.C.).


Orestes na Casa do Povo

O filmes foi gravado em 2013 no teatro TAIB (foto), localizado no subsolo da Casa do Povo. Nos anos da ditadura, o TAIB recebeu peças e shows censurados, ou desafiando a censura, e se tornou um espaço de resistência cultural. Acolheu peças do Teatro de Arena, e autores como Plínio Marcos, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e shows do MPB4.

Casa do Povo's programming expands the notion of culture, incorporating a large array of activities beyond artistic practices - from health and caring to community issues. The code of colors, filters and tags on the website helps to navigate through this entanglement of people and initiatives. Porous, mutant and critical, the programming allows the institution to structure itself without becoming rigid, to reinvent itself without growing precarious, to internationalize without giving up its local relevance, that is, in order to experiment with other forms of existence.

Regular activities

Courses
We strive to offer a lineup of courses that pique interest in the neighborhood and in Casa do Povo’s groups in residence, based on original and accessible practices (for those who offer, those who welcome and those who attend).


Study groups
In dialogue with the institution's axes, the study groups have various operational modes, some focused on internal processes, discussions and readings and others capable of overlapping into public events programming.

Projects

Commissioned works
Casa do Povo invites artists to develop new works, adapting its physical structure and guaranteeing the full operational existence of each project held here.


Publications
Each publication is understood as an extension of the projects developed and as a part of the events schedule.


Platforms
Combining processes and results, discourses and actions, artistic and academic work, Casa do Povo promotes encounters based on specific themes according to the urgent issues of the day.

Hosted events

Groups in residence can promote public activities that become part of the events schedule. Deliberately discontinuous and fluid, these activities establish close dialogues with the institution's work axes and help make Casa do Povo larger than it is, overflowing with community life.


Projects and proposals can be sent to info@casadopovo.org.br for assessment. At the same time, with the intention of encouraging this movement, an annual open call dedicated exclusively to collective practices has been launched.


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Nossa Voz
Nossa Voz

Nossa Voz is a publication by Casa do Povo. Literally “Our Voice,” the newspaper existed alongside the institution from 1947 to 1964, with texts in Yiddish and Portuguese and an editorial profile aligned with left wing ideals. It was shut down by the military dictatorship, which forced editor-in-chief Hersch Schechter and other contributors into exile. Relaunched in 2014, it continues to dialogue with its historical premises while rethinking its editorial directives.


The editorial committee relies on representatives from a wide variety of areas, meeting regularly to discuss issues concerning the city, memory and artistic practices according to the current political situation.

The publication is distributed free of charge and can be obtained at Casa do Povo during hours of operation, at partner institutions and some commercial establishments in the neighborhood of Bom Retiro in São Paulo.


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