Alguns conceitos estruturam a Casa do Povo. Entre eles estão a Diáspora, a Shoah e a Alteridade Radical. Esses são alguns dos verbetes que se encontram no livro Casa do Povo: Modos de Fazer, publicação que traz à tona a experiência de reconstituição da instituição na década 2013-2023.
Nesta edição da CASA-ESCOLA, queremos olhar para esses conceitos a partir do tempo presente, desfocando a atenção da diáspora judaica para falar da diáspora afro-atlântica, abrindo a experiência da Shoah para olhar para a Nakba, repensando a Casa do Povo a partir da descolonização e do reflorestamento do imaginário.
A CASA-ESCOLA é o projeto pedagógico da Casa do Povo. É o momento em que a Casa faz escola, ou seja, que os conhecimentos que atravessam a instituição são compartilhados, adensados e discutidos. As edições anteriores foram coordenadas respectivamente por Luiza Crosman, Amilcar Packer e Ciclo de Estudos Selvagem.
Neste ciclo, serão 15 vagas para cada grupo, preenchidas por ordem de inscrição. É possível participar de mais de um grupo de estudo. Saiba mais sobre cada um deles abaixo. Os encontros são presenciais na Casa do Povo.
As inscrições são individuais e estão abertas para pessoas maiores de 18 anos envolvidas em todas as disciplinas e práticas colaborativas. A participação no ciclo é gratuita. É desejável que as pessoas inscritas tenham disponibilidade para participar de todos os encontros do grupo de estudo selecionado.
INSCREVA-SE AQUI
—
CONHEÇA OS GRUPOS
Cartografias da Diáspora Negra
com Eugênio Lima
06/10 a 24/11, segundas, 19h às 21h30
O grupo de estudos Cartografias da Diáspora Negra pede para ser compreendido a partir de um ponto de vista da desterritorialização, em que múltiplos períodos históricos confluem com as diferentes abordagens do pensamento de autores e autoras negras sobre o sequestro, o deslocamento, a dispersão ao longo do atlântico negro. Como toda visão cartográfica, ela não pretende ser um caminho único e linear: ela se localiza na imensidão da Diáspora Negra.
Esta cartografia se guia pela ideia fugaz de Confluências no Atlântico Negro e está dividida em partes. Cada uma das partes, uma porta: Negritude, Pan-Africanismo, Consciência Negra, Poéticas da relação, Quilombismo, Necropolítica, Amefricanidade, Afrofuturismo e Afrotopia.
Autores: Aimé Césaire, Frantz Fanon, Achille Mbembe, bell hooks, Cornel West, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Abdias Nascimento, Edouard Glissant, Felwine Saar, Sueli Carneiro, Dione Carlos, Alondra Nelson
Eugênio Lima é Dj, Ator-Mc, Diretor de teatro e Cinema, Pesquisador da cultura afro diaspórica, Membro Fundador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, da Frente 3 de Fevereiro e do Coletivo Legítima Defesa.
—
Pensar com Gaza
com Peter Pál Pelbart
7/10 a 25/11, terças, das 18h às 20h
Estamos diante de um supremacismo etnocêntrico, encarnado no atual governo de Israel, com incidências trágicas sobre os palestinos e as comunidades judaicas. Em poucas décadas, da Shoah à até hoje, o imaginário sobre os judeus sofreu uma mutação radical: de vítimas a carrascos, de frágeis a brutos, de indefesos a insensíveis.
Quais fatores internos ou externos ao que Hannah Arendt chamou de judaicidade produziram tal reviravolta? Como se contrapor a tal tendência? Não seria preciso repensar a relação entre a diáspora e o sionismo? Entre o judaísmo e o antissemitismo? Em que medida certa tradição filosófica, de Scholem e Benjamin até Levinas e Derrida, podem nos servir de contraponto à escalada fascista? A que ponto certos expoentes palestinos tais como Said, Khalidi, Darwish, reconfiguram a compreensão da história? Como, a partir dessas questões, repensar a própria noção de identidade judaica e afirmar a solidariedade com os palestinos em tempos de Nakba?
Autores: Edward Said, Emmanuel Lévinas, Gershom Sholem, Jacques Derrida, Mahmoud Darwish, Rashid Khalidi, Walter Benjamin.
Peter Pál Pelbart é professor titular de filosofia na PUC-SP. Publicou O avesso do niilismo: cartografias do esgotamento e O judeu pós-judeu: Judaicidade e etnocracia, entre outros. Traduziu várias obras de Gilles Deleuze. É coeditor da n-1 edições e membro da Cia Teatral Ueinzz.
—
Descolonização e reflorestamento do imaginário
com Geni Núñez
15/10 (quartas), 20/10 (segunda), 28/10 (terça), 06, 13, 20/11 (quintas), 26/11 (quarta), 2/12 (terça), 18h às 20h
O grupo passará por debates como as definições entre pós colonial, decolonial e contracolonial, as especificidades do racismo anti-indígena, descatequização, descolonização dos afetos e a questão da (não) violência. O convite para o reflorestamento do imaginário vem no sentido de que não basta nomearmos as violências, é necessário também que pensemos/sintamos e inventemos práticas de reflorestamento do imaginário por “um mundo onde caibam vários mundos”. Além das referências já citadas, teremos também um apreço às diferentes manifestações artísticas como companhia dos estudos: pela música, literatura, fotografia, pelas diferentes artesanias, afinal, buscaremos fazer a palavra dançar.
Autores: Ana Gabriela Hernandez, Anastácio Kaiowa, Deivison Nkosi, Frantz Fanon, Friedrich Nietzsche, Geni Núñez, Jerá Guarani, Judith Butler, Mestre Bispo.
Geni Núñez é ativista guarani, escritora e psicóloga. Tem Pós-doutorado no Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP). Doutorado, mestrado e graduação pela UFSC. Coassistente da Comissão Guarani Yvyrupa. Membro da Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos/as. Autora de “Descolonizando Afetos”, “Felizes por enquanto” e “Jaxy Jaterê”.