Metacoletivo

Em 2011, ano que marca o início de uma nova gestão do espaço, a Casa do Povo voltou a associar iniciativas que dialoguem de diversas formas com a instituição, habitando o seu espaço e dando vida à sua história. Nomeando essas iniciativas como “coletivos”, no sentido mais genérico da palavra, na medida em que associam pessoas e coisas ao redor de objetivos comuns. Assim, sugerimos que a Casa do Povo pode ser vista como um coletivo de coletivos, ou, em um termo cunhado por nós, como um metacoletivo, um organismo vivo que funciona a partir da articulação das suas partes. Destas reflexões, surge o projeto Metacoletivo, realizado ao longo de 2015, e que pretendia justamente criar fricções entre esses diversos coletivos que habitam a Casa do Povo, o entorno da instituição e a sua história, para assim gerar movimento e pensamento. 

O Metacoletivo ao longo de 2015 convidou os grupos em residência a pensar, a partir de suas próprias práticas, as relações com a história e arquitetura da Casa do Povo, com os outros coletivos que dividem o mesmo espaço. A partir de ações que funcionaram como formas de expor e compartilhar os processos vigentes e “invisíveis” que acontecem na instituição e nos seus trabalhos diários no espaço. 

O projeto se dividiu em três partes: 
1/ cada coletivo foi convidado a organizar uma ação; 
2/ uma chamada aberta foi feita para acolher um novo coletivo para uma residência de curta duração.
3/ duas coreografias coletivas com todos os grupos gerou programação e ativacão de espaços na Casa do Povo.

Residência Metacoletivo: Radio Lixo

A chamada aberta foi feita com a intenção de convidar não apenas um artista, mas um coletivo interessado em desenvolver uma proposta na Casa do Povo, usando o espaço e o período de residência para a experimentação de suas práticas em um diálogo direto com os coletivos que atuam no espaço, e com o bairro do Bom Retiro. 

O processo de seleção foi feito por alguns integrantes de cada coletivo da Casa do Povo. Após a análise e discussão das cinquenta propostas recebidas, o coletivo selecionado foi a Rádio Lixo, do Rio de Janeiro. Durante o período de residência, que foi do dia 1 de setembro a 2 de dezembro, a Rádio Lixo realizou algumas ações que giravam em torno do espectro sonoro.

Coreografia I

Em 30 de maio de 2015, Coreografia I busca construir uma experiência entre os coletivos que já habitavam e atuavam na Casa do Povo por meio de um mutirão de trabalho. A ação, aberta ao público, formou quatro grupos (cozinhar e plantar, pintar e sinalizar, limpar e guardar, construir e iluminar) nos quais o trabalho coletivo foi visto como coreografia. Cada grupo teve uma tarefa para cumprir pelos espaços da Casa do Povo com a intenção de habitar “pontos cegos”, que possuem pouco uso no prédio.

Coreografia II

O artista Vitor Cesar e a arquiteta Carol Tonetti foram convidados para desempenhar o papel de coreógrafos dessa ação, se incumbindo de traduzir todas essas ideias e possibilidades em uma proposta concreta num desejo de criar um espaço comum: um mobiliário pensado para a cozinha desativada, mas que pudesse ser levado para outros espaços da Casa do Povo; um móvel que tivesse usos práticos, mas que também pudesse se transformar em uma parede de fundo; e principalmente, uma estrutura pensada para se relacionar com as pessoas que frequentam o espaço, uma estrutura com a qual os corpos possam interagir de diversas formas. O resultado é a Metacozinha, localizado na cozinha e que recebe ativações de variadas formas como parte da programação. 

O projeto Metacoletivo foi contemplado pelo Proac Espaços Independentes para as Artes Visuais 2014.