Residência de Pesquisa para Coletivos

Resultado da chamada aberta

A Residência para Coletivos é uma chamada aberta anual voltada para coletivos, grupos de estudos, movimentos, companhias, conselhos, associações ou qualquer outra forma de agenciamento coletivo que queira desenvolver uma proposta na Casa do Povo na forma de uma residência. Em 2017, o projeto ganha um foco específico na ocasião do projeto Laboratório para Estruturas Flexíveis, contemplado pelo Programa RUMOS 2015-2016 do Itaú Cultural.

A chamada aberta da Residência de Pesquisa para Coletivos é voltada para iniciativas autônomas, coletivas e/ou autogeridas com o intuito de oferecer um aporte financeiro que vise aprimorar o desenvolvimento de suas ferramentas de gestão, a partir de uma reflexão sobre suas próprias práticas. A proposta deve sugerir uma forma de utilizar esses recursos e apontar uma linha de pesquisa a ser desenvolvida no período de duração da residência. O resultado da pesquisa deve ajudar, a médio e longo prazo, o aprimoramento dessas ferramentas. O processo de cada uma das propostas selecionadas deverá ser apresentado pelos proponentes no encontro final do projeto Laboratório para Práticas Flexíveis, que acontece no segundo semestre de 2017. 

As inscrições estão encerradas. Confira aqui a chamada aberta.

Resultado da chamada aberta

Agradecemos a todos que participaram da chamada aberta. Recebemos 132 propostas, das quais tivemos que selecionar apenas duas. A qualidade das propostas nos permitiu conhecer diversos coletivos com os quais esperamos ter a oportunidade de trabalhar em breve. Recebemos projetos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Acre e Espanha.

As propostas selecionadas para a residência são:

Data_Labe (RJ)
O data_labe é um laboratório de dados na favela da Maré – Rio de Janeiro. A equipe é composta por moradores de territórios populares que produzem novas narrativas por meio de dados. No centro dos projetos desenvolvidos está a questão do imaginário construído sobre a cidade e seus habitantes.
O laboratório nasceu em 2015 nas dependências do Observatório de Favelas e hoje se estabelece como programa autônomo e autogerido. As ações estão organizadas em três eixos: produção de conteúdo; formação; e monitoramento e geração cidadã de dados.

Coletivo Transformação (SP)
Desde 2015, o Coletivo Transformação constrói um projeto de educação empoderadora e expressão cultural para travestis, mulheres transexuais, homens trans e pessoas não-binárias (ou, simplesmente, pessoas T) em São Paulo. O objetivo é oferecer as condições para a emancipação e inserção social dessa população, sempre alicerçadas em uma perspectiva crítica e aliada ao movimento social.
[...] O entrelaçamento entre cultura e educação é o caminho que elegem para fazer das diferenças um ponto de partida para a riqueza de experiências e para a produção de ferramentas que fomentem a emancipação de grupos oprimidos.

O comitê de seleção optou por premiar tais propostas para incentivar: 
1/ coletivos cujo projeto buscasse fomentar modos de funcionamento autônomos e ferramentas de autogestão, promovendo e transformando estratégias de auto-organização.
2/ projetos cuja autogestão estivesse voltada à articulação de uma rede de pessoas/iniciativas.
3/ coletivos cujos integrantes sejam simultaneamente sujeito e objeto de sua iniciativa, não separando agente propositor e objeto de estudo.
4/ coletivos que tivessem questões claras sobre suas próprias práticas, bem como os desafios a serem enfrentados por meio dessa chamada aberta.
5/ formações dos coletivos e formas políticas de engajamento.
6/ capacidade de trabalhar de forma multi ou transdisciplinar.
7/ interesse no contexto e nas maneiras de habitá-lo.

Ainda se destacaram como suplentes:
Pavio
Comerativamente
Goma oficina

Sobre o projeto
Laboratório para Estruturas Flexíveis

Centros culturais, museus e teatros parecem não dar mais conta das mudanças dos contextos nos quais se inserem. Com estruturas engessadas e muitas vezes desconectadas dos desejos de seus públicos, tentam conquistar visibilidade por meio de grandes eventos e super produções, cada vez mais caras e espetaculares. Enquanto isso, espaços de pequeno e médio porte, muitas vezes autônomos e/ou auto-geridos, com situações um tanto precárias e um trabalho mais silencioso, apontam para outras formas de financiar suas atividades, de trabalhar coletivamente, de criar comunidades, de borrar as fronteiras entre público e artistas e de ampliar os nossos entendimentos do que é cultura. Essas iniciativas apresentam ramificações complexas, afiliações diversas e influências distantes.

Laboratório para Estruturas Flexíveis busca criar condições de pesquisa para práticas coletivas autônomas e/ou autogeridas existentes que, apesar de serem lugares fundamentais de invenção e de pensamento crítico, raramente tem tempo de parar e refletir sobre suas práticas de gestão. O projeto tem o intuito de operar em um âmbito prático, potencializando o compartilhamento de ferramentas entre agentes que atuam nos mais diversos contextos, permitindo a criação de pontes entre iniciativas que em um primeiro momento parecem ter pouco em comum, fortalecendo, assim, suas atuações. 

O projeto se desdobra em três etapas principais: 

1/ encontros quinzenais de um grupo de estudos, formado por gestores da Casa do Povo e convidados para discutir formas de gestão, realizar programas públicos e conhecer diferentes iniciativas autônomas; 
2/ uma residência de pesquisa cujo intuito é oferecer condições de trabalho para práticas coletivas terem um espaço de auto-reflexão crítica; 
3/ um encontro entre gestores, artistas e pesquisadores para fomentar a troca de ferramentas de gestão e fortalecer uma rede internacional de cooperação e cuidado. 

Este projeto busca transformar a própria Casa do Povo em um laboratório em escala real, para que se possa testar as hipóteses levantadas em cada etapa, fortalecendo o papel que esta instituição e outras iniciativas ocupam na cena cultural, ao mesmo tempo em que pretende difundir outras práticas possíveis que atendam às urgências das estruturas existentes.

Mais informações sobre a programação em breve.

Foto: Murilo Salazar