Contramemórias

15/Dez - 17h - Rua Helvetia, 70

Contramemórias é uma experimentação em torno da memória. O projeto é parte do Futuro da memória, uma iniciativa do Goethe-Institut na América do Sul com desdobramentos em Buenos Aires, Bogotá, Rio de Janeiro e São Paulo.

Com curadoria de Clara Ianni e Benjamin Seroussi, Contramemória é composto por um conjunto de oficinas, encontros e performances que questionam as narrativas históricas oficiais, propondo novos agenciamentos e outras memórias possíveis no presente.

Inspirado na Experiência n° 2 de Flavio de Carvalho - que consistiu no ato de caminhar de chapéu no sentido contrário ao de uma procissão de Corpus Christi -, o projeto se inscreve no espaço público tomando-o como terreno de construção da memória coletiva. Para desenvolver essas ações, Contramemória partiu de parcerias já existentes entre artistas e movimentos sociais. Aproveitando o marco dos 100 anos da Revolução Russa, o projeto resgata a noção de arte engajada, mas, desta vez, localiza sua esfera de atuação no cotidiano e nos gestos menores, como a música, o plantio, a comida. Ao aproximar ferramentas de luta dos movimentos sociais da imaginação artística, a construção dos rituais pretende evocar potenciais contranarrativas no contexto contemporâneo.

A primeira parceria surge do desejo da aldeia guarani Kalipety, do extremo sul de São Paulo, de realizar uma oficina de cultivo para resgatar os diversos tipos de milho Guarani. A parceria se desdobra em um contrarritual que será realizado pelos moradores da aldeia com o Terreyro Coreográfico na forma de uma coreografia de cultivo.

A segunda parceria, no centro da cidade, consiste na realização de oficinas e de um show durante o qual será lançado uma música inédita - feita por moradores e frequentadores da região conhecida como Cracolândia em colaboração com o movimento a Craco Resiste, o artista Raphael Escobar e o DJ CIA. A ação lida com a multiplicidade e complexidade de histórias que permeiam o local, apontando para aquelas que não cabem nas narrativas oficiais sobre o território e seus frequentadores - dos ex-soldados da borracha aos sobreviventes do massacre do Carandiru.

O projeto reúne mundos muito diferentes que se assemelham por serem iniciativas fortes de resistência, no contexto urbano e semiurbano, ao mundo do capitalismo avançado - mostrando que outros mundos são possíveis.
 
O ‘contracalendário’ está disponível em português, espanhol e inglês no portal contracalendario.net.

Contramemórias é um projeto do Goethe-Institut São Paulo em parceria com a Casa do Povo.

Ações

Oficina/Mutirão
MA’ETY REKO  - alimentos sagrados, com Terreyro Coreográfico
21 e 22 de outubro 


Multiplicar as sementes do milho Guarani e o plantio tradicional das comunidades Guarani Mbya como ato de re-existência cosmopolítica junto com o Terreyro Coreográfico na aldeia Kalipety, localizada no extremo Sul de São Paulo, no distrito de Parelheiros, a 40 km do centro da cidade.

Inscrições mediante carta de interesse a ser enviada para: terreyrocoreografico@gmail.com com nome, data de nascimento, e-mail e telefone
20 vagas

Nhandekuai ha’e Jaiko Sampã py - Nhanhoty Vy’a
(Re-Existência do Povo Guarani Mbya em Sampã - Plantando Feliz-Cidade)
26 de novembro - 14h
Trajeto do cortejo:
 Vale do Anhangabaú (na frente do prédio da Praça das Artes), seguindo para a Praça da Sé, depois Teatro Oficina e, por fim, o Baixio do Viaduto Libertas, na Rua Major Diogo, altura do número 353.

Segundo ato do Rito Coreográfico de Celebração das sementes Guarani que resistem às sementes transgênicas sem se deixar alterar geneticamente por elas e que portam em si a sabedoria ancestral indígena; símbolo da re-existência dos Guarani Mbya em Sampã. O primeiro ato do Rito aconteceu no dia 22 de outubro com um mutirão de plantio na Aldeia Guarani Mbya Kalipety em Parelheiros Sampã. Agora, vamos celebrar as sementes Guarani no centro da cidade!

O Terreyro Coreográfico junto dos moradores das Aldeias Kalipety e Tenondé Porã com todos coros que se juntarem na sagrada árvore plantada no centro do Vale do Anhangabaú, partiremos em cortejo com cantos e danças até a Praça da Sé, onde plantaremos as sementes Guarani, cultivando e relembrando a forte presença indígena nessa praça q foi palco de uma das primeiras insurgências indígenas contra os invasores portugueses. De lá seguiremos até o Teat(r)o Oficina juntando forças na re-existência do Oficina frente ao Grupo Silvio Santos que pretende construir três torres de cem metros ao lado da Obra de Arte criada pela Lina Bo Bardi e terminaremos nos Baixos do Viaduto Libertas, onde estamos cultivando desde 2014 a Vida Pública desse generoso espaço, com uma roda de Xondaro, a Dança Guarani dos Guerreiros-Guardiões. O cultivo da Feliz Cidade nos une nessa grande corografia de luta pelo direito à Terra, pois pertencermos à Terra!

Aberto a todos.

Samba na Lata
12 de novembro - 16h

Samba organizado por frequentadores da Cracolândia, no largo General Osório, na rua conhecida por muitos como a “Rua do Samba”. Neste local, nos anos 1930, a população negra que morava na região formava rodas de samba, as quais foram continuadas, a partir dos anos 1940, com a chegada das lojas de instrumentos musicais.

Festa de rua, o Samba na Lata traz o samba como ferramenta de autonomia destes frequentadores da região hoje conhecida como Cracolândia. Como forma de serem pagos pelo samba, durante a roda, uma lata de alumínio será passada estimulando a contribuição espontânea e relembrando a prática de se passar o chapéu.

Passar o chapéu é uma prática ancestral que mostra que o homem se relaciona colaborativamente desde sempre, sem imposições de nenhuma natureza, pois inclusive, nesta prática, respeita-se totalmente o direito do público de não contribuir se assim o quiser pelo motivo que tiver. Fortalece-se a economia, contribui-se para uma melhor distribuição de renda e investe-se no trabalho vital da arte: promover o crescimento e o amor. Assim, o Samba na Lata, é uma vontade de mostrar a todos que a Cracolândia é composta de muitas subjetividades e que estes que compõem o samba podem sobreviver de sua arte e de seus desejos e vontades.

Aberto ao público.

Show A Craco conta a Craco
Com DJ CIA, Meia noite e Denis
15 de dezembro - 17h

Local: Rua Helvetia, 70 
Desafiando as narrativas oficiais que definem a Cracolândia como problema de segurança pública, alguns frequentadores e moradores do chamado "fluxo", epicentro da Cracolândia, cantam um pouco de suas vidas e das muitas histórias que habitam este contexto. Na cidade neoliberal, a Cracolândia resiste acolhendo tudo que nela não cabe mais!

Aberto ao público.