Arquivo Vivo: Oficina de Anedotas

A Oficina de Anedotas propõe a 10 artistas/escritores/curiosos que mergulhem no arquivo e biblioteca existentes da Casa do Povo para a construção de anedotas que partam desse lugar. A oficina segue uma estrutura flexível na qual cada participante é convidado a investigar o espaço físico da biblioteca somado a um acompanhamento individual da artista com o intuito de afinar a escolha, pesquisa e forma final da produção dos participantes.

Segundo a etimologia da palavra, anedota deriva da associação em grego da palavra ekdotos, publicar, com a negativa an, sendo entendido como ‘coisas não publicadas’. No português brasileiro, anedota é o nome dado a um acontecimento escrito ou verbal paralelo a uma história, geralmente inédito e pouco conhecido, mas que por sua forma curta e pontual é capaz de reportar o essencial na história do qual é anexo.

Prima da digressão, passível de ficção, e afetuosa aos que têm boa memória, a anedota costuma ser associada ao riso e à graça por seu caráter marginal de importância no trajeto de contar uma história. Com a leveza de um recurso de linguagem que nos permite insistir que o que interessa nem sempre se parece com ‘o que interessa’.

A oficina pretende ser um organismo temporário que exercita em várias mãos uma versão possível da história da Casa do Povo através de seus livros, objetos, pessoas, histórias, papéis, memórias, perdidos e achados. A proposta é parte do projeto Arquivo Vivo, uma plataforma que busca ativar a biblioteca da Casa do Povo, atualmente em fase de restauro e catalogação, e que pretende ser aberta ao público em 2018. A oficina culmina num Sarau que será organizado coletivamente pelo grupo, onde serão contadas e trocadas as histórias construídas no percurso.

A Oficina de Anedotas acontece de 31 de outubro a 5 de dezembro com encontros presenciais na Casa do Povo e à distância (via skype, redes sociais, email). É necessário que todos os participantes tenham acesso à internet nas terças-feiras no período vespertino e noturno, e que tenham autonomia de deslocamento e pesquisa nos demais dias da semana previamente acordados como parte da pesquisa de produção do conteúdo da oficina.

Será concedido aos participantes selecionados um incentivo de 200 reais (valor bruto) para cobrir os custos de transporte e alimentação durante o período de pesquisa e investigação na Casa do Povo.

Clique aqui para se inscrever. 
O resultado da chamada aberta será divulgado no dia 27 de outubro

Sobre o projeto Arquivo Vivo:

Arquivo Vivo é uma plataforma que surge a partir do arquivo e da biblioteca existentes na Casa do Povo, com o intuito de ativar esses espaços de memória. Artistas, pesquisadores, filósofos, escritores, arquitetos, etc. são convidados a conhecer esse conjunto de documentos e propor uma intervenção dentro do recorte que lhes pareça mais interessante. São plantas do edifício, peças de divulgação das atividades que ocorreram na instituição, fotografias, objetos, documentos administrativos e uma biblioteca de cerca de 4.000 volumes, quase toda em ídiche, formada por doações de imigrantes que frequentavam a Casa do Povo.

Atualmente em fase de higienização, restauro e catalogação, este acervo será brevemente aberto ao público. Nesse sentido, o projeto Arquivo Vivo, busca que, além de preservado, esse material proporcione espaços de reflexão acerca das diversas e contraditórias narrativas que permearam a história da instituição e que possa ajudar na imaginação e na construção de futuros possíveis.


Sobre a artista:

Maíra Dietrich é de Florianópolis e nasceu em 1988. Artista Plástica formada pelo Centro de Artes da UDESC, trabalha com linguagem, escrita, desenho e publicações. Organizou com Fabio Morais e Regina Melim a TURNÊ - feira de publicações independentes que itinerou durante 2012 a 2014 nas capitais do sul e sudoeste. Teve seu ateliê durante 2015 e 2016 na Casa do Povo. Atualmente cursa Mestrado no KASK & Conservatorium / School of Arts em Ghent na Bélgica onde vive. Coordena desde 2012 a editora A Missão. mairadietrich.com